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quinta-feira, 2 de maio de 2013

37 anos do Grupo Desportivo Animação Cultural da Bouça

GRUPO DESPORTIVO E ANIMAÇÃO CULTURAL DA BOUÇA - GDACB

37 ANOS DA SUA FUNDAÇÃO - 1976 / 2013

COMO NASCEU E PORQUÊ O GDACB?

Pediu-me o senhor Presidente, Ilídio Reis, para elaborar um pequeno texto retrospetivo de como e porquê se fundou o GDACB. Aceitei fazê-lo sem recurso a apoios de memória, nomeadamente, documentos escritos, pelo que pessoas e factos podem não ser referenciados o que desde já apresento as minhas desculpas.

O GDACB é um dos muitos filhos do 25 de Abril. Por todo o País, com a Revolução dos Cravos, as pessoas em geral e os jovens em particular sentiram a necessidade de se organizarem, participarem e decidirem, coletivamente, sobre os seus destinos. Foi assim que, por todo o País, surgiram milhares de associações e a massificação da prática desportiva e da intervenção cívica.

Respondendo diretamente à questão do título, direi que o GDACB nasceu porque os jovens da Bouça, desse tempo, sentiram a necessidade da prática desportiva, recreativa e cultural, aliada à vontade de agir para a resolução dos problemas da nossa aldeia. Logo a seguir ao 25 de Abril, um pequeno grupo decide praticar atletismo (entre outros o Joaquim da Bouça, o João “Fernando”, o José Serra, os irmãos Zeca e João Bizarro…). Vestiam-se na Casa da Ti Josefa Carrola, primeira casa da rua do Quebra Costas, onde o soalho tinha buracos e a casa não tinha luz elétrica, tal como toda a aldeia. Não tinham equipamentos. Uns corriam de calças, outros de ceroulas, uns de camisola outros de tronco nu. Alguns destes e outros jovens (os irmãos Moisés e José Carrola, o Zé Carrola tio, os irmãos Carlos e José Luís Brás, os irmãos Zé Armando e Luís Vila, O Zé Carlos Inácio, eu próprio…) decidiram organizar-se em grupo e criar uma equipa de futebol de 11. Começaram por instituir o pagamento de uma quota mensal e com a autorização do saudoso João Serra dos Reis, reuniam no Café Serra e aí jogavam o loto para arranjar alguns fundos. Com o dinheiro que juntaram, de imediato compraram os primeiros equipamentos de futebol e atletismo. As botas e as sapatilhas, cada um comprou as suas.

A Par da prática desportiva, o Grupo de jovens começou a trazer grupos de música, filmes e teatro à aldeia. Foram estes mesmos jovens que tiveram papel de destaque na organização de uma manifestação que levou praticamente toda a gente da nossa terra para o Pelourinho onde se pediu e exigiu a vinda da Energia elétrica para a Bouça. Desempenharam papel de relevo na organização das Festas de inauguração da Luz Elétrica, em 30 de Abril de 1975. O Saudoso Zeca Afonso que já tinha aceitado vir à inauguração da Luz, só não esteve, esse dia a cantar no Largo 25 de Abril da Bouça, porque na sequência do 25 de Novembro de 1975, foi declarado o Estado de Sítio, no País, e as autoridades não permitiram que o Zeca saísse de Setúbal. Esteve presente uma outra cantora de intervenção que agora não me ocorre o nome.

O Grupo estava a trabalhar e agora era preciso pensar em duas ou três coisas estruturantes, o nome, os estatutos, a Sede, a legalização e apoios logísticos. No que respeita às instalações, às vezes de forma gratuita, outras a pagar uma pequena renda, o Grupo passou pelo Café Serra, pelo Rés- de- chão da Casa dos meus pais, do Zeca Bizarro e da que é hoje do João Fernando. Paralelamente foi-se negociando e podemos hoje afirmar que a presente sede só existe, nos moldes atuais, porque o Grupo nasceu. Quanto à denominação e estatutos, convém aqui lembrar uma pessoa, o Padre José Luzia que foi assessor do Bispo de Nampula, Moçambique (aliás tem aparecido nos comentários do programa da RTP sobre a Guerra Colonial do Joaquim Furtado) Este Padre fez e faz o favor de ser meu amigo e da nossa terra. Era, ao tempo, animador cultural do Ministério da Cultura. Trouxe vários filmes à nossa aldeia que foram passados ao ar livre, no Largo. Muitas vezes dormiu em casa dos meus pais e ajudou-nos a elaborar e publicar os estatutos, em Diário da República. Quanto aos apoios logísticos, em especial o transporte das equipas era feito de modo generoso com as viaturas do João Serra e com a minha. O símbolo do Grupo apareceu já mais tarde e é da autoria da professora Adélia.

Uma nota final: os números dos primeiros associados foram atribuídos segundo o n.º da sua camisola da equipa de futebol. Houve já algumas alterações relacionadas com atualizações dos ficheiros.

O GDACB foi e é uma grande escola da vida para mim e muitos jovens desse tempo e dos tempos atuais.

Que Viva e para Sempre o GDACB e todos quantos o serviram e servem. A Bouça deve-lhes muito. Sem o Grupo e quem nele e com ele tem trabalhado a nossa aldeia não seria a mesma. Como se costuma dizer não estaria no mapa.

Bouça, Maio de 2013

O Sócio n.º 1 e um dos Fundadores

José Armando Serra dos Reis